O tempo


Quem conhece flor de cera sabe que esta é uma plantinha muito enjoadinha. Como eu disse eu não sabia lidar com plantas, muito menos com essa. Ouvi a vida toda que não podia encostar nela porque secava as folhas. Mas as daqui de casa já estavam secando em todas suas extremidades, o que fazer?
Tentei colocar mais água, menos água e nada. Até que conclui que do jeito que ela estava logo morreria, então eu poderia tentar cortá-las ver se conseguiria salvá-las.
Nossa! muito tempo passou até que SURPRESA uma delas voltou a florir e está com novos brotinhos!

Nada como o tempo para nos responder os questionamentos da vida!

E por falar em Tempo, hoje eu quero falar sobre ele...


“Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei.
Pra você correr macio (...)

Tempo, tempo, tempo mano velho.
Tempo, tempo, tempo mano velho.
Vai, vai, vai, vai, vai, vai...

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada (...)”
(Sobre o Tempo – Pato Fu)



Eu estava como aproximadamente 33 anos de idade quando uma grande angústia tomou conta de mim, faltava pouco tempo para minha mãe completar 60 anos de idade e também alcançar a aposentadoria.
Parecia que eu já sabia de tudo o que iríamos vivenciar. Ela sempre foi uma mulher muito guerreira, mas algo no meu intimo dizia que eu teria que passar um tempo ao seu lado. A maior dificuldade disso tudo, naquela época, era pensar que eu não me sentia afetada por ela a ponto de ser sua cúmplice...
Mas o momento chegou!
Um dia eu estava muito cansada de lutar contra a minha nova realidade foi quando comecei a pensar que eu estava sempre me dedicando com carinho aos idosos desconhecidos, as mulheres com quem eu não tinha vínculos e a tantas outras pessoas e por que então eu não conseguia me dedicar a mulher idosa que doou tanto cuidado e zelo por mim a vida toda? Eu precisava fazer algo para reverter isso.  
No início dessa nova fase do nosso relacionamento era muito difícil pra mim me relacionar com a mãe então comecei a olhar para ela como uma mulher que assim como eu sentia dor, desejava atenção, carinho e acima de tudo respeito. E assim as coisas foram acontecendo. Conforme ela ia se fragilizando mais eu buscava maneiras de me aproximar dela e aos poucos ela foi me mostrando o quanto éramos parecidas. Ela segurava minha mão e dizia que o formato de nossas mãos era parecido, que os seus olhos eram iguais aos meus. E um dia aconteceu de uma foto dela caiu sobre o meu documento e eu me espantei com nossas semelhanças.


No dia 03 de maio de 2018 não me recordo o que fazíamos quando de repente dela olhou pra mim e disse “filha” e algo me tocou a alma, todo meu ser estremeceu e naquele momento eu a reconheci como minha mãe.

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